Desliga a tv e vai ler um livro! Mas não é tão simples assim...

A gente já conversou aqui várias vezes sobre os efeitos do estresse no nosso cérebro. Já conversamos, também, sobre como o estresse nos primeiros anos de vida pode estar relacionado com o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos na vida adulta. No texto de hoje, nosso papo é sobre a relação do estresse precoce, aquele que acontece nos primeiros anos de vida, com o sistema de recompensa.

Você pode até não ter ouvido falar no “sistema de recompensa”, mas tenho certeza a-b-s-o-l-u-t-a de que está bem consciente da existência dele. Quer apostar? Diz aí, alguma vez você já pensou “porque será que é tão fácil ficar na frente da tv assistindo uma série do que sair de casa para ir na academia?” - ou qualquer coisa parecida como acordar cedo vs. acordar tarde; comer uma torta bem gostosa vs. comer uma salada bem diversa.

Isso é o nosso sistema de recompensa trabalhando a todo vapor! Ele tá ali no nosso cérebro para garantir que a gente dê preferência para atividades prazerosas – como comer, dormir,  guardar energia - e, muito importante, para garantir que a gente repita essas atividades. Pensa comigo como teria sido a evolução da nossa espécie se os nossos antepassados não priorizassem essas atividades?

É extremamente importante que o nosso sistema de recompensa funcione bem, caso contrário pode causar muitos prejuízos para o indivíduo. Pensa aqui comigo: como a gente bem sabe, sair para beber com os amigos é uma atividade que gera prazer - o contato social, as experiências vividas e o próprio álcool ativam o sistema de recompensa levando a liberação de dopamina, conhecida como o neurotransmissor do prazer. Qual o próximo passo? Repetir a dose!

Um sistema de recompensa desregulado pode responder de maneira exagerada a um estímulo como, no exemplo acima, o álcool. Os comportamentos aditivos (que a gente conhece como vício) estão relacionados a desregulação deste sistema. Mas o contrário também pode ocorrer: o sistema de recompensa responder “de menos”, causando sintomas de anedonia (perda do prazer), comum em pacientes com depressão.

Estudos têm demonstrado que o estresse precoce é capaz de alterar o desenvolvimento da circuitaria do sistema de recompensa a ponto de causar um funcionamento desregulado ao longo da vida do indivíduo. Esse mal funcionamento pode ser mais uma pecinha no quebra-cabeças que vem sendo montado pelos cientistas na tentativa de entender o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos como a depressão e a ansiedade.

 

E aí, querem saber mais sobre o sistema de recompensa e as estruturas que o formam?

 

 

Birnie, et al. Plasticity of the Reward Circuitry After Early-Life Adversity: Mechanisms and Significance. Biological Psychiatry. 87:875–884. 2020. 

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