Por que o estresse nos afeta tanto - Parte II: A missão


Lembra que há um tempo estávamos conversando sobre o estresse e como ele afeta o nosso organismo? Contei para vocês um pouquinho de como o estresse é uma resposta a um estímulo nocivo e de como ocorre a liberação do cortisol no nosso corpo... Se não lembra, pode clicar aqui para ler este texto ;)
Hoje vamos entender como funciona outra parte do nosso Sistema Nervoso (SN) envolvida na resposta ao estresse. Comentei no texto anterior sobre a Adrenalina e a Noradrenalina, dois nomes tão conhecidos quanto o cortisol, mas que muitas vezes não conseguimos entender direito o que vem da onde, né! Muito menos como estes hormônios todos se relacionam entre si para nos deixar bem calmos e tranquilos (só que não!).
Para começo de conversa, precisamos relembrar da divisão do SN que a gente estuda na escola. Não, não precisa fazer as contas para saber quanto tempo faz que você aprendeu isso. O nosso SN é dividido em Central (encéfalo e medula), e Periférico, (gânglios - corpos celulares de neurônios - e nervos) que chegam a todas as partes do corpo, comunicando cada pedacinho do nosso organismo com a porção Central do SN. O SN Periférico é subdividido em dois: uma parte responsável por controlar ações voluntárias, como flexionar o braço, e outra que controla ações involuntárias, como os batimentos cardíacos.
Esta segunda parte é chamada de Sistema Nervoso Autônomo (SNA) e também é dividido em dois: o Simpático e o Parassimpático. É o SNA Simpático que nos interessa quando falamos de resposta ao estresse. São os nervos presentes neste sistema que irão levar a informação do encéfalo até a periferia do nosso organismo. Por exemplo: quando o nosso SN Central percebe, através dos estímulos do ambiente, que entramos em um local pouco iluminado, ocorre a ativação do SNA Simpático que, através de sua ação, dilata as pupilas dos olhos a fim de enxergarmos melhor. Este tipo de informação que vai do encéfalo para a periferia é chamado de eferente.
Agora podemos juntar o que foi explicado até aqui com as informações daquele primeiro texto do blog que falamos sobre o estresse. Quando a Amígdala (não confundir com as tonsilas) identifica que estamos em uma situação de perigo, além da ativação do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA) também ocorre a ativação do SNA Simpático. Neurônios Simpáticos se comunicam com células nervosas localizadas na glândula Adrenal, resultando na liberação de Adrenalina e Noradrenalina na corrente sanguínea.
Estes dois hormônios causam vasoconstrição, aumento da frequência cardíaca, aumento do metabolismo, diminuição do peristaltismo, maior disponibilidade de açúcar no sangue, dentre outros efeitos. Como você pode observar, estas alterações na nossa homeostase servem para nos preparar para lutar ou fugir, funcionando de maneira conjunta com o cortisol. Assim, temos mais uma via importante para entendermos os efeitos do estresse no nosso organismo: a de resposta ao estresse simpática!

Curiosidade: Esta ativação do SNA Simpático também pode ocorrer devido ao estresse mental bastante comum na atualidade. É daí que vêm muitos dos sintomas presentes em momentos de ansiedade mais intensos. Será que teremos uma parte III vindo por aí?



Fonte: HALL, J. E. Guyton & Hall Tratado de Fisiologia Médica. 13ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. 1176 p.

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