Dopamina: Apenas uma molécula do prazer?


Já sei que vocês já ouviram falar na Dopamina e em como ela é uma molécula super necessária para realizarmos tarefas do dia a dia. Mas vamos relembrar mesmo assim: a dopamina tem um papel importantíssimo na motivação, fazendo parte do ciclo de recompensa. Sem ela, é possível que a gente prefira ficar deitado na cama o dia todo do que levantar para fazer nossas atividades.

Mas esse neurotransmissor não é só importante para a motivação! Ele também exerce papel no controle motor, na função cognitiva, no comportamento maternal e reprodutivo, no controle do sono, na atenção, no aprendizado entre outras ações do nosso cérebro.

Todo esse circuito é muito importante para mantermos nossos processos fisiológicos e um desequilíbrio pode ser muito prejudicial. Já se sabe que alterações nas vias dopaminérgicas podem levar a disfunções como os sintomas motores comuns nas doenças neurodegenerativas, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, desenvolvimento de comportamentos compulsivos como o “vício” em drogas, em jogos.

No processo de sinalização da dopamina, existe um transportador conhecido como DAT, que é o responsável por transportar esse neurotransmissor da sinapse de volta para o interior do neurônio, exercendo um papel importante na homeostase. No entanto, em muitas doenças, ocorre um desequilíbrio e esse transportador passa a recapturar mais dopamina que o necessário - e sabemos que tudo em excesso é ruim. Com a dopamina não seria diferente.

Dessa forma, pesquisadores descobriram um composto chamado CE-123 que age especificamente bloqueando esse transportador, para poder ter um controle da quantidade de dopamina dentro das células. Nessa pesquisa, eles analisaram se o CE-123 poderia ser benéfico para pacientes com o Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal, que, como vocês já viram aqui, é um transtorno do neurodesenvolvimento quando ocorre exposição do feto ao álcool. Esse transtorno pode levar a prejuízos na infância e até na vida adulta, podendo gerar dificuldades no aprendizado, na atenção, hiperatividade e até alterações faciais.

E o que os cientistas descobriram é que esse composto foi capaz de “diminuir” o déficit de aprendizagem e o comportamento hiperativo dos animais submetidos ao modelo de Transtorno do espectro alcoólico fetal. Com a administração do CE-123, esses problemas foram revertidos e os animais tiveram um desempenho melhor nos testes, mais próximo do que foi observado no grupo controle – animais sem o transtorno. Isso sugere que essa substância tem um grande potencial terapêutico e, com o desenvolvimento de novos estudos, pode estar presente em novos medicamentos que contribuam para melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas com desiquilíbrio nos níveis de dopamina. 

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