A neurociência e o Mindfulness
Você provavelmente já ouviu falar nesse nome Mindfulness, mas imagina o que seja?
O Mindfulness, na tradução do inglês
significa ‘’ Atenção plena’’ e é definido como uma habilidade de estar no
momento presente. De acordo com algumas pesquisas, a maior parte do tempo
nossas mentes estão divagando, longe do momento presente, e que pessoas em que
a mente divagava mais, eram menos felizes. Mas, a notícia boa é que a
habilidade de estar no momento presente pode ser adquirida através de diversas
técnicas, dentre elas a meditação. A meditação por si, abrange uma família de
práticas como: meditação da atenção plena, meditação mantra, yoga, dentre
outras. Sendo que a meditação da atenção plena é descrita de maneira
simplificada como a atenção ao momento presente sem julgamentos. E dentro da
própria meditação da atenção plena, temos diferentes técnicas que são
utilizadas baseadas em tradições diferentes, como o Treinamento Integrativo
Corpo-mente (IBMT), Redução do
Estresse Baseado na Atenção Plena (MBSR),
o Zen (inclui a tradição budista), dentre outros. Foi sugerido que a meditação
da atenção plena inclui três componentes chaves para constituir o processo de
autorregulação promovido aos praticantes, são eles o controle da atenção, da
emoção e autoconsciência (como consciência corporal aumentada).
Diversos estudos investigaram se ocorreria mudanças na
ativação cerebral. E eles observaram um tamanho aumentado em oito regiões do
cérebro dos praticantes de meditação da atenção plena (incluindo todas as
técnicas e tradições) , são elas o córtex
do polo frontal que pode estar relacionado com uma meta-consciência
aprimorada (processo de estar consciente da atividade
da mente e dos processos mentais); os córtices sensoriais e a ínsula , que estão sendo relacionadas com a
consciência corporal; hipocampo,
relacionado aos processos de memória; o
córtex cingulado anterior/médio e o córtex
orbitofrontal, áreas que estão sendo relacionadas ao processo de autorregulação
e regulação emocional .
Figura 1: Algumas regiões do
cérebro envolvidas na prática de meditação da atenção plena
Fonte: TANG et al, 2015.
Mindfulness e atenção
Como mencionado anteriormente, a atenção é um dos
componentes-chave na meditação da atenção plena. Muitas dessas práticas
enfatizam a necessidade de cultivar a regulação da atenção no início da
prática, através da atenção ao momento presente, podendo ser através da
observação do próprio corpo, da própria respiração. Estudos demonstraram que
praticantes frequentes relataram uma melhora geral do controle da atenção após
práticas repetidas.
Para entender melhor esse processo é necessário compreender
que atenção é dividida em três tipos: a orientação
para um estímulo sensorial (selecionar para onde você vai orientar sua atenção
no meio a diversos estímulos); alerta
(ficar atento a um evento durante um período de tempo); e o controle executivo (está relacionada à
detecção de erros e à habilidade de resolver conflitos, essa via dá base para o
uso do autocontrole).
Pesquisadores através de diferentes testes perceberam que em
apenas 5 dias (20 minutos por dia) de meditação da atenção plena, no método
IBMT, melhoraram o monitoramento de conflitos, através do controle executivo. E
outros estudos também demonstraram que esse melhor desempenho no monitoramento
de conflitos também ocorre em meditadores experientes, além de uma atenção
aprimorada. E as regiões do cérebro mais responsáveis pelos efeitos do
treinamento da atenção foram a regiões do Córtex cingulado anterior (CCA) e do Córtex
pré-frontal dorsolateral.
Mindufulness e regulação da emoção
A regulação emocional refere-se a estratégias que podem
influenciar quais emoções surgem e quando, por quanto tempo e como essas emoções
são vivenciadas. Essa regulação da emoção pode ser através do desenvolvimento
da atenção (que é a atenção aos processos mentais, incluindo emoções), mudança
cognitiva (alteração dos padrões típicos de avaliação em relação às emoções de
alguém) e modulação de resposta (diminuição dos níveis tônicos de supressão).
Diversos estudos de auto-relato, descreveram efeitos
positivos nas emoções como uma redução na interferência emocional por estímulos
desagradáveis, e diminuição das dificuldades na regulação da emoção e melhores
estados de humor positivos com a meditação de atenção plena. Outros estudos
também revelaram que o processamento da dor era diferente em meditadores, que
tinham uma diminuição das conectividades das regiões cerebrais que estão
relacionadas a dor. E também visualizaram mudanças nas conexões das regiões
frontais e da amígdala em quem apresentava ansiedade.
Dessa forma podemos perceber que existem evidências que a
meditação da atenção plena pode causar mudanças neuroplásticas na
estrutura e funções de diferentes regiões do cérebro envolvidas na regulação da
atenção, emoção e autoconsciência. No entanto, ainda é necessário que mais
estudos sejam realizados para compreender melhor todos os mecanismos que
envolvem a prática, com a finalidade de conectar as descobertas científicas com
os relatos pessoais.
Referências utilizadas:
KILLINGSWORTH, M. A.; GILBERT, D. T. A
wandering mind is an unhappy mind. Science, v. 330, n. 6006, p. 932,
2010.
TANG, Y. Y.; HÖLZEL, B. K.; POSNER, M. I.
The neuroscience of mindfulness meditation. Nature Reviews Neuroscience,
v. 16, n. 4, p. 213–225, 2015.
Ø Vídeo sobre mindfulness e neurociência Scientific Americam -
traduzido:
https://www.youtube.com/watch?v=excwd6nI8Ew
Ø Caso queiram ler mais sobre o assunto:
IWAMOTO, S. K.
et al. Mindfulness Meditation Activates Altruism. Scientific Reports, v.
10, n. 1, p. 1–7, 2020.
KORPONAY, C. et al. The Effect of
Mindfulness Meditation on Impulsivity and its Neurobiological Correlates in
Healthy Adults. Scientific Reports, v. 9, n. 1, p. 1–17, 2019.

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