Por que é tão difícil se desconectar?




Você já se perguntou por que é tão difícil sair das redes sociais, deixar o celular ou o videogame de lado?
Um denominador em comum entre essas atividades é um dos neurotransmissores envolvidos - a dopamina.
 

Durante muito tempo, a dopamina foi relacionada com o prazer. Estudos mais recentes, no entanto, sugerem que os neurônios dopaminérgicos são ativados antes que uma recompensa seja realmente recebida e, portanto, antes que o prazer seja experimentado. Assim sua ação está mais relacionada com a “motivação pela busca”. Basicamente: buscamos algo,  encontramos e temos liberação de dopamina durante o processo. 
No contexto evolutivo, a dopamina nos recompensa por comportamentos benéficos e nos motiva a repeti-los. Principalmente comportamentos que resultam em desfechos esperados ou melhores que o esperado. Isso fica mais claro, quando pensamos em outras atividades capazes de elevar níveis de dopamina, como: comer uma boa refeição, praticar um exercício físico, e realizar interações sociais.  

Outro ponto importante diz respeito ao tempo que levará até receber esta recompensa. Portanto atividades que possuem uma resposta mais rápida, como navegar pela internet são preferíveis a uma atividade física de nossa escolha, mesmo que a longo prazo a atividade física possa ser mais benéfica.

E como se apresentam as estruturas anatômicas envolvidas na recompensa? O sistema dopaminérgico mesolímbico é constituído por neurônios dopaminérgicos originados na área tegmentar ventral do mesencéfalo, atravessando o feixe prosencefálico medial, finalizam nos núcleos septais e no nucleus accumbens. Estes, prolongam-se, para o córtex pré-frontal.

 
Figura 1.  Sistema de recompensa e estruturas anatômicas. 
Fonte: Arias-Carrión, O., Stamelou, M., Murillo-Rodríguez, E. et al. Dopaminergic reward system: a short integrative review. (2010). https://doi.org/10.1186/1755-7682-3-24

Outro exemplo também  relacionado ao mesmo circuito, são as drogas de abuso (álcool, tabaco, cocaína, entre outras). Seu consumo resulta em níveis não naturais de dopamina, através da estimulação da liberação da dopamina ou aumento da sua ação no nucleus accumbems.

A estimulação acentuada e continua nessas vias, pode levar a uma mudança na  homeostasia do sistema, uma regulação no sentido de diminuição da resposta. Este fenômeno também é chamado de tolerância de uma droga, ou seja, para alcançar o mesmo efeito desejado é necessário uma quantidade maior da substância. Assim a ação delas sobre o sistema de recompensa pode levar ao desenvolvimento da dependência.

Como você pode ver inúmeras atividades estimulam o sistema de recompensa, porém algumas por serem mais rápidas na liberação de dopamina aumentam a nossa busca! Como o constante acesso às redes sociais...Então, que tal tentar desconectar um pouco?

Referências :

Bear, M. F.; Connors, B. W.; Paradiso, M. A. Neurociências:Desvendando o sistema nervoso. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.

Berridge, K. C., and Kringelbach, M. L. (2015). Pleasure systems in the brain. Neuron 86, 646–664. doi: 10.1016/j.neuron.2015.02.018

Hamid, A., Pettibone, J., Mabrouk, O. et al. Mesolimbic dopamine signals the value of work. Nat Neurosci 19, 117–126 (2016). https://doi.org/10.1038/nn.4173



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Neuroplasticidade: mocinho ou vilão?

Janelas de oportunidade - tudo no seu tempo

Você já se perguntou por que o estresse nos afeta tanto?