Você já se perguntou por que o estresse nos afeta tanto?


Se eu perguntar o que te estressa, você conseguiria me responder? Aposto que existe uma lista de coisas que te irritam! Mas e se eu te perguntar o que é o estresse? O estresse é algo ruim? Uma pesquisa rápida no Google vai te dizer que “estresse é uma resposta a um estímulo”, mas o que exatamente isso significa?
Todo o nosso organismo trabalha em conjunto, assim, quando percebemos um estímulo, diferentes regiões do nosso corpo trabalham para receber, interpretar e gerar uma resposta adequada a este estímulo. Por exemplo: se você está andando na rua e sente o cheiro de jasmim - uma flor comum na casa da sua avó quando você era criança – é fácil entender que o seu olfato está sendo estimulado. Porém, uma série de regiões no seu cérebro também respondem a este estímulo, afinal você reconheceu o cheiro, relacionou a flor a um evento do passado, lembrou da sua avó (o que também envolve as emoções).
Tudo isso acontece muito rápido e é o que nos permite compreender o mundo ao nosso redor. Podemos aplicar esta mesma lógica a uma ameaça, como, por exemplo, uma briga. Imagine que você está andando na rua e, de repente, se vê no meio de uma briga generalizada. Você tem duas escolhas: fica e entra na briga ou corre! É o famoso instinto de luta ou fuga, que tem tudo a ver com a nossa resposta de estresse.
O.k., então já entendemos que o estresse nada mais é do que uma resposta a alguma coisa ou situação que nos mobiliza. Quando a gente identifica um estímulo aversivo, ou seja, algo do qual queremos distância, o nosso corpo começa desenvolver uma resposta de estresse como uma forma de nos fazer entender que devemos nos afastar deste contexto. O grande protagonista desse papo todo é o cortisol. Você já deve ter ouvido falar dele como “o hormônio do estresse”. Ele ganhou este nome simpático porque é liberado em resposta ao estímulo aversivo.
A informação de que estamos diante de uma ameaça chega até a Amígdala (que não é a da garganta - o nome correto é tonsilas palatinas), uma região do nosso encéfalo que participa do processamento das emoções. Na Amígdala, esta informação de ameaça é identificada e começa a ser elaborada uma resposta de estresse. O que acontece a seguir é a ativação de um eixo formado por três estruturas encefálicas: Hipotálamo, Hipófise e Adrenal, o eixo HHA.
O Hipotálamo libera um hormônio chamado de Hormônio Liberador de Corticotropina, o CRH. O CRH é liberado após ‘uma conversa amiga’ entre a Amígdala e o Hipotálamo. A alta concentração de CRH no nosso sangue é identificada como um sinal da resposta de estresse. Com isso, a Hipófise passa a liberar o Hormônio Adrenocorticotrópico (eita!), que abreviado é ACTH. Da mesma forma, a alta de ACTH no sangue resulta na liberação de cortisol (olha ele aí) pela glândula Adrenal, que está localizada acima do rim.
O cortisol é fundamental para que você possa responder apropriadamente ao perigo. Uma de suas ações no nosso organismo é a liberação da glicose para que esta possa ser usada para gerar energia extra. Além do cortisol também são liberados outros hormônios, como a adrenalina e a noradrenalina, que aumentam o fluxo sanguíneo e de oxigênio no corpo todo, para que você seja capaz de lutar ou de correr sem faltar combustível! A adrenalina e a Noradrenalina são liberadas por neurônios do Sistema Nervoso Simpático, uma parte do nosso Sistema Nervoso que vai ter que ficar para outro papo!
Agora que entendemos que o estresse é uma resposta a um estímulo e como essa resposta acontece. Já podemos responder a uma das perguntas feitas no início desse texto: O estresse é algo ruim? Não! O estresse é uma reação normal do nosso organismo e graças a essas reações estamos vivos. No entanto, nem sempre as reações são adequadas aos estímulos (podemos ter reações exageradas ou prolongadas demais, por exemplo) e aí sim teremos os efeitos negativos do estresse.

Comentários

  1. Muito obrigada pelo texto, muito bem escrito e explicativo!

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  2. Nossa, muito mais fácil aprender assim, bem didático e divertido. parabéns!

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