O comportamento animal como base da pesquisa em laboratório
Para que a gente
possa entender de uma forma mais completa como um fenômeno ocorre, é necessária
a realização de uma série de experimentos que nos responda, com clareza, os
questionamentos que estamos fazendo. Por exemplo: se eu quero entender o que ocorre
com uma pessoa adulta que teve contato restrito com a mãe durante a infância,
eu preciso saber detalhes da sua infância, de seu comportamento, das pessoas
presentes em sua vida, dentre outras centenas de informações. Isso nunca é uma
tarefa fácil!
Por isso os
cientistas tentam replicar a situação que estão estudando em um laboratório,
onde é possível controlar o ambiente, e assim responder as variáveis que foram
citadas acima e muitas outras. Quando estamos analisando questões
comportamentais, é necessário o uso de animais que possam reproduzir o
comportamento humano. Normalmente os experimentos são desenhados para avaliar
as ações de mamíferos, como os roedores. Ratos e camundongos são os animais mais
utilizados na pesquisa porque são fáceis de manter e tem grande similaridade
genética com os humanos. Isto se chama “modelo animal”, quando o cientista
reproduz um fenômeno humano em laboratório utilizando animais.
Para que isto
possa ser feito é necessária a autorização dos órgãos responsáveis por
fiscalizar e controlar o uso de animais na pesquisa e uma formação técnica e
ética específica dos cientistas envolvidos. Além disso, também é necessária
comprovação científica de que o modelo a ser usado é eficaz em representar a
realidade a ser estudada.
Mas vamos voltar
ao exemplo anterior: eu quero entender os (possíveis) efeitos que a restrição
de contato com a mãe pode ter no comportamento do indivíduo. Para dar início
aos experimentos que irão responder esta pergunta, precisarei observar ratas
prenhas e saber, com precisão, o dia de nascimento das ninhadas. Com isso, será
possível aplicar um dos modelos de separação materna para ratos já consolidados
na literatura científica. Existem variações, mas geralmente a mãe é separada
dos filhotes por três horas por dia, desde o segundo até o décimo quarto dia
após o nascimento da ninhada. Devido a descobertas recentes, diferentes
protocolos têm sido propostos, mas isso é papo para outro post.
Após a aplicação
deste modelo de separação materna, os animais seguem se desenvolvendo até
atingirem a idade em que participarão dos testes comportamentais. Isso pode
acontecer na juventude/adolescência, na vida adulta e até na velhice dos
animais, dependendo do que o cientista pretende avaliar. Os testes também
variam de acordo com a pergunta que se pretende responder: se eu quero observar
uma possível relação entre a separação materna e o processo de aprendizagem do
filhote na adolescência, eu irei aplicar testes que avaliam memória e
aprendizagem quando os animais estiverem na adolescência.
Após a aplicação
do protocolo experimental, os animais são eutanaziados, seguindo as normas
vigentes no Brasil, e tem início uma nova bateria de avaliações, desta vez
contando com análises microscópicas das estruturas encefálicas e dos neurônios
dos animais. Desta forma conseguimos observar não apenas diferenças
comportamentais, mas também morfológicas, fisiológicas e até mesmo bioquímicas
entre o grupo de animais que foi separado da mãe e o grupo que se desenvolveu
normalmente, sem nenhuma alteração de contato materno. Fique atento para não
perder nenhum resultado desta pesquisa aqui no blog!
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